domingo, 4 de janeiro de 2015

Os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria

Portugal é um país de fracos. Portugal é um país decadente: Porque aos não indiferentes interessa mais a política dos partidos do que a própria expressão da pátria, e sucede sempre que a expressão da pátria é explorada em favor da opinião pública.

Os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria. A condição menos necessária para a força de uma nação é o ideal político. 

Almada Negreiros 1917


Almada Negreiros era monárquico e continua actual...

Língua é cultura


Soares desafia Cavaco Silva a pronunciar-se sobre Sócrates




Temos um ex-primeiro-ministro na cadeia por suspeitas de crime lesa-pátria. Isso, por si, já é uma vergonha para a nação. Mas sendo os primeiros-ministros políticos, tendo toda a sua base e apoio na política, não é surpreendente. É até expectável que os políticos comentam crimes. É triste dizê-lo mas é uma verdade.

Deve, no entanto, orgulhar-nos e deixar-nos até aliviados o facto de a justiça o ter apanhado e estar a tomar medidas para o julgar (esperam-se as cenas dos próximos capítulos e ninguém ficará admirado se o caso for arquivado com a suposta vitória socialista nas próximas legislativas).

O que deve envergonhar tudo e todos, seja qual for o resultado final, é termos um ex-chefe de estado em visitas constantes e defesas raivosas ao preso 44. Deve ainda envergonhar-nos mais que esse mesmo ex-chefe de estado sugira que o actual chefe de estado saia em sua defesa.

Isto é coisa que tenho a certeza jamais aconteceria numa monarquia, nem que seja porque raramente existem "ex-reis" e porque os reis não são políticos, são cidadãos que pensam no bem da nação que representam. Mário Soares, sendo um ex-chefe de estado deveria continuar a ser um representante da nação, mas revela que é (sempre foi) apenas um representante do Partido Socialista que sai, como um cão raivoso, na defesa, não de um cidadão, mas de um membro do seu partido.  É, também isto, que se evita com a monarquia.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Curiosidades

A Rainha dona Amélia era fluente em francês, português, espanhol, inglês, italiano e alemão.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Arrendar ou Comprar?

A responsabilidade de arrendar uma casa é muito inferior à de comprar. Quando arrendamos uma casa não nos preocupamos muito porque a casa não é nossa e, no futuro, não vai passar para os nossos filhos e netos. Mesmo que tenhamos governantes/as, criados e cozinheiros, não nos preocupamos muito se a casa, na sua estrutura está arranjada. E embelezamos com cuidado apenas aquelas partes que vamos mostrar aos outros “para inglês ver” (às vezes nem isso). Os proprietários da casa acabam sempre, depois, por arcar com o “bolo final” das contas daquilo que não foi cuidado convenientemente. Raros são os inquilinos temporários que, realmente, se preocupam.
Quando compramos a coisa muda de figura. Compramos algo que escolhemos, pelo qual lutamos dia após dia, fazendo as contas para saber que casa podemos pagar no final do mês e com que luxos podemos viver, mesmo que seja outra pessoa a pagar a casa que é nossa, temos este cuidado porque não a queremos perder. Queremos que seja permanente, que passe para os nossos filhos e netos com o mínimo encargo possível para as futuras gerações. Cuidamos da casa com amor e carinho. Com cuidado, seja nas partes “para inglês ver” ou nas partes mais íntimas, mais nossas. Se tivermos governantes e criadas andamos “mais em cima” a ver o que andam a fazer e a “cobrar” qualquer falha porque, a casa é nossa, gostamos dela, sentimos amor por ela e queremos que os nossos filhos a tenham nas melhores condições possíveis. Raros são os proprietários permanentes que não se preocupam.
É assim que encaro a república e a monarquia. O presidente da república “arrenda” o país como seu por 5 ou 10 anos. Não mais do que isso. Depois disso não são os seus herdeiros, os seus filhos que ele ama, quem tem de preocupar-se com a “merda” que se tenha feito durante o seu arrendamento e sim o inquilino seguinte. Se os governantes roubarem, os criados fizerem um mau trabalho, o presidente não tem de preocupar-se muito, desde que aquilo que o “inglês vê” esteja bem, e desde que o seu futuro pessoal esteja assegurado (vivendo às custas de quem lhe paga para o resto da vida), não tem de preocupar-se muito e, se for preciso, também rouba mais um bocadinho. Raros serão os realmente honestos nesta situação.
Com a Monarquia o Rei “compra” o país como seu para toda a vida e sabe que o mesmo passará para os seus filhos e netos, e tem de manter feliz quem lhe paga para isso (numa monarquia constitucional democrática - a que defendo). Vive nele e se os seus governantes e criados andarem a roubar, fizerem mal o seu trabalho, são os seus filhos quem vai ter de arcar com as consequências no futuro. Os filhos que ele ama e que não quer que sofram. Assim cuida do país como se de propriedade privada se tratasse. Mete a “boca no trombone” se notar casos de “roubos” (corrupções), tenta chamar a atenção de maus "governantes e criados" e orienta as coisas de modo a que o futuro da sua casa esteja salvaguardado e o trabalho dos seus filhos seja cada vez menor. Raros serão aqueles que tenham mau íntimo e não se preocupem quando está em risco um lugar permanente para si e para os seus.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A desistência da Língua


Por Inês Pedrosa: 


Numa das últimas vezes em que escrevi um artigo contra o chamado Acordo Ortográfico, um amigo aconselhou-me a abandonar o assunto porque, estando já prestes a entrar em vigor no Brasil, seria inútil contestá-lo. Acrescentou que a não-adesão criaria problemas económicos a Portugal.

Este modelo argumentativo diz muito sobre o tempo em que vivemos: os espertos são os que seguem o rebanho e desistem de pensar pela própria cabeça, para não levantar ondas. Em caso de resistência, apela-se ao incontestável Deus da Economia, que suspende qualquer explicação.

Sucede que aquilo a que se convencionou chamar Acordo Ortográfico é uma fraude, porque:

a) Não estabelece nenhum acordo (a palavra recepção continuará a escrever-se com 'p' no Brasil e perde o 'p' em Portugal, porque o fundamento da ortografia passa a ser a pronúncia - e ainda por cima o texto refere a “pronúncia culta”, o que agrava o patético do tema);

b) Confunde os utilizadores, dado que a etimologia das palavras, que esclarecia as dúvidas, deixa de se aplicar. Sintoma de uma época que despreza a memória e vive em esquecimento acelerado, este 'acordo' ignora voluntariamente a história e o trajecto da Língua. É mais um passo no caminho do desprezo pela riqueza e pela força da Língua Portuguesa.

Em L'identité malhereuse, o ensaísta francês Alain Finkielkraut reflecte, entre outras coisas, sobre a justificação da ministra do Ensino Superior francês para criar, em 2013, cursos em inglês.
Dizia ela: “Se não autorizarmos cursos em inglês, não atrairemos estudantes dos países emergentes, como a Coreia do Sul ou a Índia”.
Conclui Finkielkraut: “Reina portanto o funcionalismo, que conduz à uniformidade. Assim que o verbo esteja reduzido a veículo, a meio de informação e de comunicação, toda a gente virá buscar o mais confortável (…). Para o novo regime semântico, a forma não conta para nada, só o sentido faz sentido” (tradução minha, porque infelizmente Portugal traduz cada vez menos livros de ensaio, e menos ainda de pensadores contra-corrente, como é o caso deste).
O fascínio supostamente economicista pela língua inglesa está também em franco crescimento nas universidades portuguesas, que julgam ser esse o caminho da internacionalização, do cosmopolitismo, do dinheiro e da glória.
Basta olhar para o desaparecimento veloz da língua e da cultura francesas em Portugal para perceber o resultado desastroso dessa cedência à Língua Imperial (o inglês).

A anulação de uma língua representa a desistência da cultura que ela veicula - não só o apagamento exterior da sua literatura (o que já não é pouco, porque a língua portuguesa sempre se distinguiu pela sua produção literária), como do cinema, do teatro e da música.

Em vez de cuidar do reforço do ensino da Língua no mundo, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem passado as últimas décadas entretida com um acordo impossível.

Devia olhar para os ingleses e americanos, ou para os espanhóis e para a América hispânica, e meditar sobre como conseguiram eles que as suas duas línguas dominassem o mundo. Não foi com protocolos burocráticos sobre minhoquices ortográficas. Dedicaram-se, pelo contrário, a investir no que interessa e rende: a universalização da Língua.

Artigo publicado no SOL (carregar aqui, ou no título, para aceder ao link original)