domingo, 4 de janeiro de 2015

A censura da república

Em pesquisa pela Biblioteca Nacional encontro este Almanach da República publicado em 1893 (sendo o 2º número, o 1º é de 1892). ora a república começou em 1910, como é possível que em 1893 fossem publicados almanaques da república? Fui ver o interior. Qual não é o meu espanto quando, entre informações tipo "borda d'água" está imensa propaganda republicana, com inclusivamente poemas de Manuel de Arriaga e outros republicanos a chamarem tirano (e outras coisas bem piores) ao rei, a troçarem de tudo e a reclamarem pela falta de liberdade e tirania existentes?... Não é ridículo que alguém que consegue, realmente e anualmente, publicar um almanaque a dizer mal de tudo e todos, sem ser censurado, venha gritar que vive em tirania e com falta de liberdade? e não é ainda mais ridículo que essa refilona república se imponha pela tirania das armas e depois de imposta seja ela a fechar jornais e censurar publicações?!

Bilhete postal em 1895, custava 10 reis


Os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria

Portugal é um país de fracos. Portugal é um país decadente: Porque aos não indiferentes interessa mais a política dos partidos do que a própria expressão da pátria, e sucede sempre que a expressão da pátria é explorada em favor da opinião pública.

Os interesses dos partidos prejudicam sempre o interesse comum da pátria. A condição menos necessária para a força de uma nação é o ideal político. 

Almada Negreiros 1917


Almada Negreiros era monárquico e continua actual...

Língua é cultura


Soares desafia Cavaco Silva a pronunciar-se sobre Sócrates




Temos um ex-primeiro-ministro na cadeia por suspeitas de crime lesa-pátria. Isso, por si, já é uma vergonha para a nação. Mas sendo os primeiros-ministros políticos, tendo toda a sua base e apoio na política, não é surpreendente. É até expectável que os políticos comentam crimes. É triste dizê-lo mas é uma verdade.

Deve, no entanto, orgulhar-nos e deixar-nos até aliviados o facto de a justiça o ter apanhado e estar a tomar medidas para o julgar (esperam-se as cenas dos próximos capítulos e ninguém ficará admirado se o caso for arquivado com a suposta vitória socialista nas próximas legislativas).

O que deve envergonhar tudo e todos, seja qual for o resultado final, é termos um ex-chefe de estado em visitas constantes e defesas raivosas ao preso 44. Deve ainda envergonhar-nos mais que esse mesmo ex-chefe de estado sugira que o actual chefe de estado saia em sua defesa.

Isto é coisa que tenho a certeza jamais aconteceria numa monarquia, nem que seja porque raramente existem "ex-reis" e porque os reis não são políticos, são cidadãos que pensam no bem da nação que representam. Mário Soares, sendo um ex-chefe de estado deveria continuar a ser um representante da nação, mas revela que é (sempre foi) apenas um representante do Partido Socialista que sai, como um cão raivoso, na defesa, não de um cidadão, mas de um membro do seu partido.  É, também isto, que se evita com a monarquia.